13 outubro 2024

RECOMEÇO...


 

Amigos tradicionalistas, estudiosos, pesquisadores e demais interessados em conhecer ou relembrar a verdadeira história do início e continuidade do movimento tradicionalista organizado, relatada por quem protagonizou e vivenciou os fatos em tempo real, ésta é a oportunidade...

Este Blog foi criado em 2011 com os mesmos objetivos e teve no ar por um bom tempo, porem com as mudanças da vida foi ficando de lado, a ideia inicial era após os relatos históricos continuar trazendo relatos da trajetória deste movimento até os dias atuais o que foi enfraquecendo e as publicações foram diminuindo, soma-se a isso também, a proliferação das redes socias, Instagram, Yutube e outros veículos que foram mudando os meios de comunicação.

- Mas como bom tradicionalista, sou também um mantenedor das tradições e por isso trago de volta a tradição e os legados dos “velhos blogs”.

PROMESSA E COMPROMISSO


 

O meu pai, com certeza foi o que mais levou toda essa história para o universo tradicionalista, de poucas letras tinha o dom da palavra e fazia palestras por todos os cantos do nosso Estado e fora dele, principalmente voltado para os jovens. Quando se foi... prometi pra mim mesmo que iria seguir este legado, levando a história verdadeira para Peões e Prendas que são o futuro do movimento. Quando chegou a hora do Paixão, renovei este compromisso com o tradicionalismo gaúcho e enquanto estiver por aqui pretendo cumprir, a promessa e o compromisso.

FIDELIDADE HISTÓRICA...


 

A iniciativa de voltar a relatar estas histórias, nasceu durante um encontro (o 1º) no dia 17 de setembro/24, promovido por um grupo de cavalgadas do Município de Butiá – RS, que reuniu descendentes dos Pioneiros do Grupo dos 8,  constatei lá, que pelo fato da maioria não ser muito ligada ao movimento tradicionalista, mesmo tendo convivido com os protagonistas desta história, pouco sabiam dos fatos, suas lembranças eram resumidas em relatos individuais dos seus familiares, porem o todo, relacionado ao movimento tradicionalista e a importância daqueles momentos para o início de tudo..., eles tinham poucos conhecimentos, e foi uma das pautas deste encontro, de trazer de volta esta historia contada por quem viveu em loco.

Apenas o pai (Cyro Dutra Ferreira) e o Paixão Cortes, deixaram livros relatando tudo isso e enquanto estavam entre nós, levavam a história viva para todos tradicionalistas. E também “fiscalizavam” a distancia o que era dito por outros palestrantes, historiadores e pesquisadores, sempre preocupados com a veracidade dos fatos.  Mas ao mudarem de plano, esta “fiscalização” ficou resumida a poucos e já temos conhecimento de muitos erros históricos que andam circulando pelas palestras e cursos, inclusive oficiais do MTG.

É muito fácil a história ser distorcida ao longo dos tempos, principalmente quando são poucos os registros escritos por quem viveu a história, por isso me somo aos poucos que ouviram de viva voz dos protagonistas e que continuam mantendo esta fidelidade histórica, mas até quando???  Desta forma, estes registros são de extrema importância para o futuro do tradicionalismo organizado.

 

1945

 

“...aquele outono no nosso País era mais cinza do que o normal e as folhas não caiam só por ação dos ventos, mas também de tristeza pelos maus dias que vivia o Mundo. As bombas que derrubavam galhos e troncos com suas raízes no velho mundo repercutiam em todos os cantos...a natureza e as pessoas choravam suas perdas; porem com o mês de Maio veio o dia “D” que trouxe promessas de um mundo melhor, até que enfim os homens estavam se entendendo, ou pelo menos estavam tentando...”

Esse era o quadro mundial em 1945, terminava a segunda grande guerra e com a vitória dos aliados o mundo tomava novos rumos, recomeço, reconstrução, nova vida... e neste quadro a supremacia americana começou a se instalar pelos quatro cantos do universo. Até a velha e tradicional Europa se rendia aos apelos comerciais e culturais que eram despejados feito avalanche interferindo nas tradições milenares, culturas e costumes nativos.

Aqui no nosso Brasil não foi diferente, correntes fortes e influentes defendiam a “americanização” da nossa cultura e foi tão significativa essa intromissão cultural que até hoje, mais de 75 anos passados, grande parte do nosso País ainda usa como vestimenta tradicional rural, calças de jeans, chapéus de cowboy, cintos com grandes fivelas para segurar calças justas e celas estilo americanas nos seus cavalos. Festas regionais tornaram-se, “Rodeios Country” onde vaqueiros montam em touros ostentando indumentárias de outras culturas.

Porem algumas manifestações regionais brasileiras sobreviveram à esses tempos, o Vaqueiro Nordestino, que do fundo das Caatingas conseguiu manter suas origens e valores tradicionais até os dias de hoje, mas que infelizmente esta agonizando e se debatendo contra a influencia que vem lhe “cutucando a paleta” nestes anos.  Hoje chapéu de couro e gibão, são praticamente peças de museu, ou de algum Vaqueiro mais tradicional, ou ainda de alguma manifestação folclórica que consegue ainda se manter viva. Quem for assistir uma “Vaquejada” (manifestação tradicional dos vaqueiros), dificilmente vai encontrar um vaqueiro típico, o que impera são os chapéus estilo americanos e os bonés, sem falar na vestimenta e encilhas, calças jeans e camisas espalhafatosas montando encilhas nada típicas do Nordeste.

Outra Cultura regional expressiva e importante em grande parte do Brasil que conseguiu se manter por um bom tempo, foi o Caipira, esse sim, hoje foi totalmente engolido pelas influencias externas virando “um tal de estilo sertanejo”, que ninguém sabe ao certo definir o que é...,  criando uma verdadeira confusão cultural que praticamente terminou com as manifestações nativas do centro do País por ação das grandes mídias, pelo materialismo comercial e por seres totalmente descompromissados com os valores culturais e tradicionais dos povos e que usam a desculpa da modernização e evolução dos tempos para matarem suas raízes culturais.

Foi neste quadro de invasão cultural que tentava impor usos e costumes estrangeiros ao povo brasileiro que surgiu aqui no Rio Grande uma saudável rebelião em prol da preservação da cultura gaúcha, dos nossos usos e costumes, das nossas raízes e principalmente da nossa identidade, tudo sob o comando de um jovem visionário e preocupado com o que estava se perdendo, teve inicio então o Movimento Tradicionalista Gaúcho, que começou a se organizar em busca de uma estrutura solida e duradoura, visando preservar para sempre a figura do homem campeiro do Rio Grande do Sul e de suas tradições, O Gaúcho Rio-grandense.

Em 1947, dois anos após o término da grande guerra, sob o comando de João Carlos Paixão Cortês iniciou-se o que alguns dizem ser o maior movimento sociocultural que se tem conhecimento, um ano após foi fundado o primeiro CTG (Centro de Tradições Gaúchas), em seguida vários outros foram se formando por todo o Estado do Rio Grande do Sul e já em 1954, seis anos após a fundação do “35 CTG” em torno de quarenta entidades compunham o movimento que se organizava, doze anos mais, 1966 era criado o órgão federativo, MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho), a Federação Tradicionalista que visava congregar todos os CTGs já existentes no Estado e hoje, com 58 anos de fundação  conta com mais de 1700 Entidades tradicionalistas filadas.

- Esse trabalho relata fatos e registros históricos, é uma coletânea de passagens que contam essa historia, de como tudo começou e a trajetória desse Movimento ao longo dos últimos 77 anos, ressaltando os legados que aquela iniciativa de 1947 liderada por Paixão Cortes nos deixou e de como nós Tradicionalistas conseguimos manter tudo isso tão vivo e pujante por todo esse tempo, registrando nomes e fatos vividos por quem participou diretamente dessa história.

 

                                                                                                                

 

 

 

 

 

 

ENTIDADES PRECURSORAS

                              INICIATIVAS E ENTIDADES PRECURSORAS

Muito antes de 1947, antes mesmo da primeira grande guerra, já tinham surgido algumas iniciativas isoladas visando a valorização e o resgate das tradições do povo gaúcho bem como sua preservação, a primeira que se tem conhecimento foi a criação da Sociedade Sul-rio-grandense, fundada no Rio de Janeiro no ano de 1851 no dia 08 de novembro por Antônio Alvares Pereira Coruja. Inicialmente seus objetivos eram de reunir e auxiliar os gaúchos oriundos do Rio Grande do Sul residentes no Rio de Janeiro. Porem a manutenção e o culto das tradições gaúchas tornou-se inevitável na sua trajetória de mais de um século, e em 20 de setembro de 1977 foi criado oficialmente como um departamento da Sociedade o CTG Desgarrados do Pago, formalizando o que já vinham fazendo em prol das nossas tradições. 

Ainda na segunda metade do século IXX, foi criada na Capital gaúcha a Sociedade Parthenon Literário em 18 de junho de 1868, voltada para o resgate literário gaúcho e auxilio a questões politicas, como a proclamação da república e a abolição da escravatura, essa entidade foi de extrema importância para a valorização, resgate e preservação da Cultura Rio-grandense;  em 1881 nascia em São Paulo o Clube 20 de Setembro, em 1884 o Clube Republicano Recreativo Rio-Grandense no  Rio de Janeiro, estas duas entidades seguindo os passos da Sociedade Sul-Rio-grandense mas que indiretamente se voltavam também para o culto e preservação das nossas tradições e no final deste mesmo século, já com objetivos bem definidos de cultuar  as  tradições gauchas, foram fundadas as entidades: Grêmio Gaúcho em 22 de maio de 1898 por Cezimbra Jaques em Porto Alegre, a União Gaúcha de Pelotas em 10 de setembro de 1899 e o Centro Gaúcho de Bagé em 20 de setembro de 1899. 

A partir daí vários outros “clubes” foram sendo fundados no Estado, todos a exemplo e com os mesmos objetivos do precursor, Grêmio Gaúcho, porem nenhum deles conseguiu atingir e manter seus reais objetivos iniciais, aos poucos foram se transformando em clubes sociais sem maiores compromissos com a tradição gaúcha e no ano de 1947, poucos ainda existiam, mantendo apenas o nome que lembrava a cultura gaúcha, pois eram apenas “sociedades bailantes” (Paixão Cortêz). 

Outros Clubes que surgiram entre 1900 e 1940:

- União Gaúcha Lourenciana – 1900 – São Lourenço do Sul

- União Gaúcha de rio Grande – 1901 – Rio Grande

- Grêmio Gaúcho de Santa Maria – 1901 – Santa Maria

- Grêmio Gaúcho Encruzilhada – 1902 – Encruzilhada do Sul

- União Campestre – 1902 – Pelotas

- Club Gaúcho Arealense – 1902 – Pelotas

- Grêmio Gaúcho – 1904 – Santana do Livramento

- Grêmio Gaúcho – 1904 – Dom Pedrito

- Sociedade Gaúcha Lombagrandense – 1938 – Novo Hamburgo

- Clube Farroupilha – 1943 - Ijui


Dos clubes que ainda existiam na década de 40, apenas quatro seguiram o caminho de culto a tradição gaúcha e se reformularam anos depois nas formas de um CTG, nos mesmos moldes do Pioneiro 35 de Porto Alegre:  o Grêmio Gaúcho também de Porto Alegre (já extinto), a União Gaúcha de Pelotas, o Clube Farroupilha de Ijuí e a Sociedade Gaúcha Lombagrandense de Novo Hamburgo, todas  reformuladas  e seguindo os passos do “35” (primeira entidade social criada no Estado com objetivos Estatutários bem definidos  de preservação e manutenção das tradições gaúchas, com a sigla CTG), fundado em 24 de abril de 1948, seguindo a iniciativa de João Carlos Paixão Cortês ao criar o Departamento de Tradições Gaúchas do Colégio Julio de Castilhos  em  agosto/1947 -  POA.

PS. Convém esclarecer aos leitores, que estas Entidades existentes ainda 1948, estavam totalmente descompromissadas com o culto as tradições, mesmo que nos seus Estatutos essa preocupação estivesse também prevista. Por isso é dado ao “35”CTG de Porto Alegre, o título de Pioneiro, pelo pioneirismo de ter no seu Estatuto um formato voltado exclusivamente para a preservação e o culto aos usos e costumes do gaúcho riograndense com o compromisso único de manter as tradições vivas e fortalecer a Cultura Gaúcha como um todo e este Estatuto serviu de modelo para todas entidades que vieram a ser criadas após 1948, inclusive para reformulação das quatro remanescentes que ainda funcionavam apenas como clubes socias e que a partir da reformulação se tornaram entidades exclusivamente tradicionalistas.









                          

DECADA DE 40

 

DECADA DE 40 – PANORAMAS DO ESTADO E PAÍS

 

“....No meio rural, o homem da campanha sabia até onde podia chegar, quando se aproximava da cidade: apeava do pingo, tirava as botas, as esporas, a bombacha, lavava-se numa sanga, vestia uma calça corrida, calçava um par de sapatos apertados e bicudos, que levava escondido debaixo dos pelegos para entrar no povoado. O peão de estância era pouco considerado, ser um bom ginete, um guasqueiro – artesão de qualidade – um lavrador resoluto na rabiça do arado, um laçador de fé, não tinha valor maior, a não ser, o orgulho pessoal....”

“....A ordem geral dos maiores centros do Pais irradiadores das modas, era:  mudar para melhor, evoluir, desenvolver, imitar as novas que vinham do além-mar europeu ou seguir  os moldes dos EUA – padrão USA – de qualquer maneira....”

“....O bonito era copiar tudo do estrangeiro: viver manifestações alienígenas; consumir, especialmente as sobras militares de guerra que os norte-americanos procuravam nos meter goela abaixo, juntamente com seus hábitos de vestir e suas expressões culturais, numa tentativa de desfigurar a nacionalidade do povo....”                                                                                                                                                                                                       

                                                                                                           (Paixão Cortês)

Esse era o quadro da década de 40, no País e no nosso Estado, bem resumido e de forma clara pelo Folclorista Paixão Cortês em seu livro “Origens da Semana Farroupilha e Primórdios do Movimento Tradicionalista Gaúcho”, e como se não bastasse as questões sociais e culturais tínhamos ainda as questões politicas, vivíamos uma realidade em que as culturas locais estavam sendo relegadas, o regime do Estado Novo implantado pelo Presidente Getúlio Vargas que fomentava uma só cultura, a Brasileira. Bandeiras dos Estados foram incineradas passando a valer somente a Bandeira Nacional, castrando a identidade das unidades federativas e consequentemente do ser regional. Nas escolas não se estudava a história do Rio Grande do Sul, nossa literatura, não se cantava o Hino Riograndense, e muito menos a nossa cultura era estudada e valorizada, tudo foi engavetado durante esse período de ditadura cultural. O Rio Grande estava amordaçado, sem condições de viver e cultuar suas tradições, sua história e a nossa maneira de ser, e principalmente o homem do campo totalmente esquecido...

E como se não bastassem as questões politicas vividas no Brasil nesta época, ainda tínhamos o fator do estrangeirismo que invadia nossos usos e costumes nos impondo um “modismo” totalmente adverso as culturas locais. Com o final da 2ª Grande Guerra e a vitória dos aliados sob o comando Americano, essa cultura foi lançada ao mundo e no Brasil não foi diferente.

- Calças de brim, Chiclé, Coca-Cola, Rock, eram alguns dos itens que despejavam sobre nossos jovens, tentando definitivamente engolir as culturas locais.

“Mas o Povo Gaúcho era diferente do contexto brasileiro, aqui não queimamos os Pavilhões Estaduais, apenas foram retirados dos mastros e armazenados de forma discreta contrariando as determinações superiores, sabíamos que um dia eles voltariam a ocupar o lugar merecido  e nossos intelectuais não desistiram de manter nossa cultura viva e mesmo amordaçados e com pouca repercussão continuaram promovendo os valores e cultura regionais.”

- Vivíamos agora 1947, forte campanha sacudia o País de ponta a ponta clamando pela volta das instituições democráticas e a realização de eleições livres. A juventude clamava por mudanças, politicas e culturais e neste cenário nacional o Rio Grande do Sul foi além das buscas politicas, alguém se preocupou com a retomada dos nossos valores, das nossas tradições e da nossa identidade cultural. Jovens, liderados por Paixão Cortês iniciaram o que seria mais adiante o maior movimento sociocultural que se tem conhecimento; O Movimento Tradicionalista Gaúcho. Nascia em meados deste ano o Departamento de Tradições Gaúchas da Escola Julio de Castilhos em Porto Alegre, os objetivos não eram políticos, mas sim culturais, RESGATAR AS TRADIÇÕES DO POVO GAÚCHO.

 

 

DEPARTAMENTO DE TRADIÇÕES

 

DEPARTAMENTO DE TRADIÇÕES GAÚCHAS

Agosto de 1947 – Colégio Júlio de Castilhos

 

Era o ano de 1947 e a inquietação politica e cultural se faziam presentes, principalmente nos jovens, Porto Alegre era o centro estudantil do Estado, para lá migravam jovens de todos os cantos do Rio Grande do Sul e a maioria oriunda do campo e das Estâncias e Fazendas onde tinham se criado até chegar na idade de irem em busca dos seus caminhos de vida. Essa juventude vivia na Capital remoendo saudades da vida no interior e no campo, viviam de lembranças remoídas na hora do mate (chimarrão) que cevavam muitas vezes “solitos” após um dia de estudos.

 

Vivendo nessa realidade e preocupado com o rumo que as coisas tomavam, onde a moda do estrangeirismo tomava conta do meio social e cultural, J. C. Paixão Cortês, aluno do Colégio Julio de Castilhos teve a ideia de criar dentro do Centro Acadêmico da Escola um departamento de tradições gaúchas, com o objetivo de iniciar um movimento em prol das tradições e resgate da cultura gaúcha, além de criar um espaço que serviria para reunir aqueles jovens estudantes do interior para tomarem seu chimarrão nas horas do recreio e falarem de suas lembranças...

 

“Programa de Ação” do Departamento de Tradições Gaúchas:

a)     Realização de bailes gauchescos, com concurso de danças e trajes; hora de arte;

b)    Concursos literários: prosa e poesia;

c)     Publicação de artigos no jornal do Julinho;

d)    Palestras culturais por intelectuais gaúchos;

e)     Ronda Gaúcha: assembleia;

f)      Provas campeiras – concurso de laço e boleadeiras;

g)     Concurso de fotografias;

h)    Concurso de desenhos;

i)       Biblioteca e discoteca.

 

“Nascia assim o Departamento de Tradições Gaúchas da Escola Júlio de Castilhos que se manteve atuante por alguns anos, porem com a fundação do 35 CTG ao natural sofreu um enfraquecimento, já que os alunos se renovavam e os seguidores do tradicionalismo procuravam o novo CTG para cultuar as tradições, porem até os dias de hoje e mantido na Escola e na Semana Farroupilha promove manifestações internas com os alunos e professores.”

 

 

- Em agosto de 1947, quando se aproximava o aniversário da Revolução Farroupilha, que até então só era comemorado internamente nos Quarteis da Brigada Militar e nas Lojas Maçônicas. A Brigada por ser seu aniversário de criação, na Maçonaria devido a sua participação na revolução e pelos vultos Farrapos que na maioria eram Maçons, e por aí se esgotavam as manifestações em prol desta data histórica. Paixão usou esta motivação para dar inicio às atividades do Departamento recém-criado, comemorar a data com uma “Ronda Gaúcha”.

 As festividades seriam variadas, entre elas, palestras, concursos literários, roda de chimarrão e culminaria com um baile tradicional no encerramento (seguindo o programa de ação do Departamento), tudo “aquecido” por uma “chama” retirada da Pira da Pátria no dia 7 de setembro e que permaneceria acessa na Escola até o dia 20 do mesmo mês.

 

As ideias partiam do jovem Paixão, mas tudo foi organizado e compartilhado com os membros do Centro Acadêmico que aprovaram a iniciativa e passaram a engrossar o grupo de “tradicionalistas” que se formava dentro da Escola com o apoio de Professores e Direção.  

 

PS. ELES NÃO TINHAM IDÉIA DO IMPORTANTE PASSO QUE ESTAVAM DANDO EM PROL DA CULTURA GAÚCHA...

 

 

 

GRUPO DOS 8

 

“PIQUETE  DA TRADIÇÃO” - O GRUPO DOS 8.

 

Ao organizar a “Ronda Gaúcha”, primeira ação do novo Departamento e como na programação estava prevista a retirada de uma Centelha do Fogo Simbólico da Pátria na noite de 7 de setembro, Paixão Cortês teve que solicitar essa permissão à Liga de Defesa Nacional, órgão governamental responsável pelos festejos da Semana da Pátria e que na época era presidida pelo Major do Exército, Darcy Vignoli.  O encontro foi com o próprio Presidente da Liga e de “viva voz” Paixão expos seus planos e programação para a “Ronda Gaúcha” na Escola Julio de Castilhos da Capital, o que foi de pronto bem aceito pelo Major concedendo a devida permissão para retirada da Centelha que permaneceria acesa na Escola até o dia 20 de setembro.

Ao deixar o Gabinete da Presidência, Paixão se deparou com o Secretário desta entidade, Dr. Fortunato Pimentel que tendo participado da reunião referendou o apoio do Presidente para a iniciativa e reforçou um pedido feito durante o encontro; conforme relatou no seu livro, Origem e Primórdios...

 “ ..... e reafirmou a solicitação anterior no sentido da nossa colaboração para organizar um piquete de gaúchos para acompanhar, desde a entrada da cidade até o Panteão Rio-grandense (localizado junto ao Cemitério da Santa Casa), os restos mortais do General farroupilha, David Canabarro, que seriam transladados da cidade de Santana do Livramento.  Fortunato queria dar um toque especial ao evento.....”

 (E esse “toque especial” que o Secretário imaginava, ele vislumbrou naqueles jovens estudantes que estavam se mobilizando para comemorar na Escola tradicionalmente e a moda gaúcha o aniversário da Revolução Farroupilha, já que esse translado de Livramento para Capital que fazia parte das comemorações da Semana da Pátria, mas por ser um vulto histórico ligado a Revolução Farroupilha a homenagem teria esse “toque especial”...)

 

 Essa foi a primeira e talvez a mais importante OPORTUNIDADE ofertada ao Movimento Tradicionalista, a chance daqueles jovens mostrarem não só para o universo da Escola, mas sim para toda população de Porto Alegre e Estado, em função da repercussão que teria na imprensa o evento cívico daquele 5 de setembro de 1947, a iniciativa de um grupo de estudantes para resgatar, preservar e valorizar as coisas da nossa terra, e Paixão Cortês ao aceitar  o desafio, mesmo sem saber, estava dando o primeiro e mais importante passo para o inicio do que hoje, quase chegando aos 80 anos, tornou-se o Movimento Tradicionalista Gaúcho.

- A programada “Ronda Gaúcha”, seria com certeza muito bem sucedida e teria uma boa visibilidade à nível local, mas dificilmente obteria a repercussão que teve em função do ato realizado no dia cinco de setembro daquele ano por oito jovens (Grupo dos 8) liderados por Paixão Cortêz. Esse ato levou para fora da Escola pelas mãos da imprensa, o que estava e iria acontecer naqueles dias de setembro, além de motivar e “incendiar” aqueles jovens que queriam fazer, apenas um pouco..., mas que terminaram fazendo muito...  pelo futuro das tradições do Rio Grande.

- Aceito o “desafio”, iniciaram-se os preparativos, tinham que conseguir cavalos e arreios, os campeiros seria fácil, pensava o Paixão, a maioria daqueles jovens da Escola eram oriundos do interior, tinham suas “pilchas”(vestimentas) guardadas e sabiam montar. Os cavalos de pronto foram conseguidos na cavalaria do Exercito, os arreios teriam que ser conseguidos e emprestados nos arredores da Capital, zona rural de Porto Alegre; com um jipe e motorista da Liga de Defesa e uma credencial assinada pelo seu Presidente, saíram em busca destes arreios e essa foi a primeira grande vitória do Movimento que nascia sem saber, A CONFIANÇA..., pessoas desconhecidas acreditaram nos apelos entusiasmados do jovem Paixão Cortes, e quatorze despretensiosos voluntários, os PRIMEIROS do Movimento..., emprestaram seus arreios sem saber ao certo o que estavam fazendo e se os veriam de volta...

Com cavalos e arreios conseguidos, era hora de reclutar quatorze campeiros dispostos à saírem montados pelas ruas da Capital e essa foi a primeira DECEPÇÃO do Movimento, a falta de coragem de alguns para enfrentar o desafio..., apenas oito, entre colegas, vizinhos e parentes, se encorajaram para façanha, “seis pares de arreios permaneceram tristemente no porão de uma casa na Rua Sarmento Leite (residência do Paixão)  por falta de quem os usasse naquele dia histórico”.

“PIQUETE DA TRADIÇÃO ou GRUPO DOS 8” - PAIXÃO CORTÊS (20anos), CYRO DUTRA FERREIRA (20anos), FERNANDO MACHADO VIEIRA (18anos), JOÃO MACHADO VIEIRA (20anos), ORLANDO DEGRAZZIA (18anos), CYRO DIAS DA COSTA (19anos), JOÃO SÁ  DE SIQUEIRA (19anos)  e CILÇO CAMPOS 23anos).

- O encontro foi marcado para o dia 05 de setembro de 1947 as 5:00 da madrugada na casa do Paixão (Rua Sarmento Leite), uns chegaram de “carro de praça” (taxi), outros de bonde, o meu Pai era vizinho, chegou de a pé. Reunidos foram separando os arreios, cada qual com o cuidado de não misturar as “coisas”, pois na devolução não poderiam entregar errado aos donos. ...O  Paixão comandava tudo ao seu estilo, gritos e gestos espalhafatosos demonstrando o nível da adrenalina..(conforme relato de Cyro Dutra Ferreira em seu livro, “35 CTG O Pioneiro”).

Os cavalos foram encilhados no Regimento Osório, na Av. Bento Gonçalves no bairro Partenon, com exceção do Paixão que havia conseguido um “Tubiano” emprestado e que estava no Parque de Exposições na Av. Getulio Vargas.  Dos seus destinos saíram pelas ruas da Capital causando espanto pelo inusitado naquele amanhecer de setembro e a pata de cavalo o Movimento Tradicionalista iniciava sua trajetória vitoriosa pelas rédeas de oito Pioneiros voluntários, os SEGUNDOS do Movimento...

O grupo que vinha do Quartel se encontrou com o Paixão numa esquina da Av. Ipiranga e seguiram pela Rua João Pessoa causando espanto e admiração das pessoas que nas calçadas aplaudiam sem saber do que se tratava...

“O sol acompanhava aquele piquete, mas um dos campeiros seguia de Poncho enfiado, Orlando Jorge Degrazzia ao perceber que Cyro Dutra Ferreira levava junto aos arreios um Poncho emalado, achou por bem de usa-lo, de pronto ocorreu o empréstimo e com a preocupação de expor tudo que fosse possível das tradições campeiras, seguiu pelas ruas da Capital num dia ensolarado vestindo o companheiro inseparável do campeiro nos dias de chuva e friu, (esse Poncho permanece até os dias de hoje em meu poder).  

 

Mas esta não foi a única demonstração de “campeirismo” e ímpeto idealista de mostrar as tradições, logo mais adiante um acidente normal para os homens de a cavalo viria mostrar a destreza e habilidade de um dos nossos Pioneiros, causando espanto e arrancando aplausos das pessoas que acompanhavam aquele momento inusitado para época, e essa foi a primeira demonstração de habilidade campeira, civismo e seriedade do Movimento.

- Após o encontro com o Jipe que trazia a urna com os restos mortais do Gal, Davi Canabarro, em função da velocidade que vinha a viatura, obrigou o piquete a “atropelar seus Pingos”, e ao dobrar uma esquina, no paralelepípedo escorregadio ocorreu uma “planchada” da égua do Cilço Campos, o que poderia ter sido um grave acidente e de certa forma um vexame para aqueles jovens campeiros, teve um final surpreendente para os assistentes, Cilço, que carregava o Pavilhão Nacional, como bom campeiro, preocupado em sair ileso da queda e com a bandeira que carregava sem perder o controle da montaria, foi surpreendido por um companheiro que vinha mais atrás e atropelou seu cavalo passando pelo [1]entrevero e de pronto agarrou o mastro saindo lá na frente com a missão cumprida, não permitir que o Símbolo maior da Pátria caísse ao chão. Enquanto isso, o campeiro Cilço saia em pé e de rédeas na mão;  foi só o tempo de aprumar a Égua e montar novamente para seguir no cortejo tradicionalista sob os aplausos dos curiosos que assistiam.

- Esse talvez tenha sido uns dos principais momentos para o sucesso do Movimento que nascia naquele dia, se tudo tivesse dado errado, a Bandeira e o Campeiro caindo ao chão e a Égua disparando de volta ao Quartel, no dia seguinte as manchetes jornalísticas seriam totalmente negativas a respeito do episódio. Porem o que ocorreu foi exatamente o contrário, o enaltecimento da habilidade e demonstração de que aqueles 8 cavaleiros sabiam o que estavam fazendo nos deu o primeiro voto de credibilidade da opinião pública.

 

 

Outro grande momento deste dia histórico de 1947, foi o encontro do Piquete da Tradição com BARBOSA LESSA na Praça da Alfandega, estudante de jornalismo, “curioso” e sem saber o que estava acontecendo, se dirigiu ao grupo e naquele momento se integrou ao Movimento Tradicionalista, se tornando um dos ícones da nossa trajetória em defesa  das Tradições Gaúchas.  

- Agora eram 9 os iniciantes do Movimento, 8 de a cavalo e um de a pé registrando tudo no seu “caderninho” onde anotava tudo..., os primeiros registros do início do Movimento.

( ...após esse dia, nunca mais os oito que saíram a cavalo  conseguiram se reunir, sempre faltava um ou dois, todos seguiram seus caminhos de vida e afazeres, e mesmo nos encontros para formação do 35 CTG sempre faltava alguém; permaneceram atuantes no Movimento até seus últimos dias, apenas  o Paixão Côrtes , Cyro Dutra Ferreira e Barbosa Lessa;  mas isso não diminuiu o feito histórico dos demais que já tinham deixado os seus legados encravados no Tradicionalismo Rio-grandense e são constantemente lembrados e reverenciados por isso... )

- Hoje mais de 75 anos passados, nenhum deles esta mais entre nós, todos já partiram para outros planos,  mas com certeza continuam olhando pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho,  que mesmo sem saber,  iniciaram naquele 05 de setembro de 1947 a “pata de cavalo” , como não poderia ter sido diferente em se tratando de jovens campeiros preocupados em preservar essa identidade nativa.

PS. Uma vez ouvi do meu Pai, que o Paixão poderia ter optado apenas por irem alguns representantes “pilchados” acompanhar as cerimônias do translado, é claro que teria a mesma importância para o inicio do Movimento, porem o fato de ter aceito o desafio de irem a cavalo, mostrando os costumes campeiros do gaúcho e somando-se ao fato da maioria dos primeiros seguidores serem oriundos do campo, norteou o Movimento Tradicionalista para o culto das tradições campeiras, reverenciando o nosso homem do campo com seus usos e costumes, alem

 

de ter dado maior repercussão na imprensa, o que foi de suma importância para o inicio da caminhada tradicionalista.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

RONDA GAÚCHA

 

1ª RONDA GAÚCHA – 08 A 20 DE SETEMBRO DA 1947

 

 

Criado o Departamento de Tradições Gaúchas na Escola, com os planos de realização da 1ª Ronda Gaúcha e tendo a concordância e colaboração dos colegas do Grêmio Estudantil (Centro Acadêmico), foram iniciados os preparativos e a organização, a programação seria extensa, de 08 a 20 de setembro daquele histórico ano de 1947.  

 

Como já citado anteriormente, o Programa de Ação do Dep.de Tradições Gaúchas era amplo e abrangia toda cultura gaúcha, muitas destas ações foram realizadas no período da Ronda Gaúcha; primeiro, foi idealizada uma chama, que retirada da Pira da Pátria no final do dia 07 de setembro permaneceria acessa no saguão da Escola, nascia aí a Chama Crioula, que é acessa para festejar a “Semana Farroupilha” e se repete desde aquele ano de 1947.

- A programação continha palestras, concursos de redação e desenhos, rodas de chimarrão e horas de arte, até o dia 20 quando realizariam um baile gaúcho, seria o primeiro Fandango do Movimento Tradicionalista (esta denominação para os bailes tradicionais veio após, na época foi chamado de ”Baile Gaúchesco”) .

 

A retirada da Centelha não estava programada para ser a cavalo, iriam alguns alunos munidos de um candeeiro para retirar e levar até a Escola a primeira Chama do Movimento. Porem, após o episodio do dia 05, os planos mudaram, resolveram ir montados, iniciando aí a tradição da nossa Chama Crioula ser conduzida sempre por Gaúchos a cavalo.

 

“Passavam alguns minutos da meia noite do dia 7 de setembro quando Paixão Cortês apeou de seu pingo e subiu a escada que ia até o topo da Pira da Pátria, “pilchado” a preceito de chiripá, tirador, boleadeiras e esporas grandes não foi uma façanha tão fácil, mas realizada a contento e o atoche improvisado de estopa num cabo de vassoura fez arder pela primeira vez a Chama Crioula.  Paixão estava acompanhado de mais dois companheiros, seu primo Fernando Vieira e Cyro Dutra Ferreira; e com a chama em punho seguiram pela Av. João Pessoa, rumo ao Colégio Julio de Castilhos, que não era longe, apenas algumas quadras de percurso. Porem, um fato inesperado..., a estopa em chamas começou a queimar o cabo de vassoura e os três gaúchos se viram embretados com a situação (imaginem eles chegarem na escola sem o fogo esperado???), não tinha outra saída, “calcaram os pingos nas esporas” e em desabalada carreira se foram rua a fora, acompanhados por alguns companheiros que de a pé seguiam juntos o cortejo cívico; chegaram na escola já quase sem fogo, mas cumpriram a missão e acenderam o Candeeiro que os esperava no saguão do Colégio rodeado de alunos e professores.

 

- Como registrou Paixão Cortês nos seus escritos, “eles não sabiam da onde tinha saído tanta gente “pilchada” naquela noite, foi uma agradável surpresa e um início das festividades coroado de êxito.”

 

 As comemorações de acendimento da Chama encerraram pela uma da madrugada e a escola foi fechada, mas dois guardiões escalados permaneceram montando guarda para o Candeeiro, Ivo Sanguinette e Rubens Luiz Xavier, por ordem da Direção, eles poderiam ficar, mas a Escola ficaria fechada. E ai se deu mais um fato pitoresco; inexperientes não lembraram que o querosene iria terminar em algum momento e não tinham providenciado uma reserva... Quando na madrugada a chama  começou a enfraquecer, foi ai que se deram conta do problema, “...foi um deus nos acuda...”, como escreveu Sanguinette, buscaram papeis e trapos pelos corredores do Colégio para manter aceso o Candeeiro, até que o Rubens teve a ideia de pular as grades do Colégio e ir atrás de algum armazém da redondeza que tivesse querosene (seria um fiasco se quando abrissem a Escola o fogo estivesse apagado...), obviamente ele teve que acordar o “bodegueiro assustado” e tentar explicar a situação, mas conseguiu o combustível para manter acessa a primeira Chama Crioula. Esse fato só foi contado aos demais, bem depois...

 

- E assim seguiu a programação por todos os dias, nos recreios aconteciam horas de arte e manifestações sobre as comemorações além das rodas de chimarrão. Mas um dos pontos altos dos festejos foi a palestra do Escritor gaúcho, Manoelito de Ornellas, que falou sobre a cultura gaúcha, seus escritores e a literatura regional com grande aceitação dos assistentes. - - - Manoelito de Ornellas a partir daí teve uma atuação importante no inicio da organização do 35 CTG e do Movimento, inclusive presidindo o 1º Congresso Tradicionalista em 1954.

 

 

 

 

Finalmente chegava o dia 20, ponto alto das comemorações, o Baile Gaúchesco que encerraria a 1ª Ronda Gaúcha.

 

 O baile foi no Teresópolis Tênis Clube que se tornou uma mistura de salão de baile com galpão de estância, até um pelego de ovelha foi estaqueado num canto, já que a “dita” tinha sido carneada no pátio do clube para o churrasco durante o baile.

 

- Neste baile foi extinta a Chama que permaneceu acessa durante todos os dias e noites desde o dia 8 de setembro no saguão da escola encerrando as programações do que mais tarde seria chamado de “Semana Farroupilha.”

 

PS... aqueles jovens não sabiam  ao certo o que estava acontecendo, não tinham ideia que ali estava nascendo a Chama Crioula, que ali estava nascendo a Semana Farroupilha, que ali estava nascendo o Movimento Tradicionalista Gaúcho..., mas alguma coisa dizia que estavam no rumo certo, que estavam fazendo o que era para ser feito, se ia se repetir no próximo ano, ou se ia parar por ali,  isso não importava,  somente o que estavam fazendo naquele momento é que  tinha importância e graças a deus, fizeram e continuaram fazendo nos anos que vieram, nos mostrando o caminho que deveríamos seguir e que trilhamos até os dias de hoje...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NASCE A IDEIA...

 INICÍA A FORMAÇÃO DO PRIMEIRO CTG.


Ainda no dia 5 de setembro, após o sucesso da “campereada” pelas ruas da Capital, devolvidos os cavalos e bem “emalados” os arreios,  o Grupo dos 8 foi confraternizar na churrascaria Hércules na Rua Ramiro Barcelos bairro Bom Fim;  e ali, entre a conversa e as emoções do feito, o Paixão contando sua façanha ao se confrontar com um carroceiro que o chamou de  palhaço  (como ele tinha que devolver seu Tubiano em local diferente, se apartou do grupo no meio do caminho), sozinho e chamando a atenção pelos trajes, foi alvo do comentário e de pronto revidou a moda campeira, no “relho...”. Tudo era alegria e nesse clima de euforia, surgiu a ideia que o grupo não deveria parar por ali, mesmo com o aceno do Paixão para os festejos que iniciariam três dias após na Escola, foi unanime a manifestação de continuarem se encontrando... alguma coisa que não sabiam ao certo estava começando, o que era e o que seria no futuro, ninguém sabia...mas sentiam que valia a pena acreditar e dar segmento. 

Desta forma, e com muita empolgação, após a realização bem sucedida da “Ronda Gaúcha”, o grupo continuou se encontrando nos sábados a tarde, agora não apenas o Piquete da Tradição, mas sim todos ou quase todos que participaram das comemorações farroupilhas na Escola. No inicio eram apenas encontros para rodas de mate e conversas sobre campereadas, passagens, causos e algumas “mentiras”, mas tudo voltado para as raízes daqueles jovens oriundos do interior e que embretados na cidade grande para estudar, viam sufocadas estas raízes no  peito de cada um.

Os encontros eram realizados aos sábados a tarde no porão da casa do Paixão e cresciam de semana para semana, adeptos da ideia de formar uma entidade voltada para a preservação e culto as nossas tradições se multiplicava, principalmente com a colaboração de Barbosa Lessa, que com seu “famoso caderninho” de apontamentos ia anotando e reclutando jovens com as mesmas ideias e propósitos.

Neste recrutamento surgiu um grupo de ex-escoteiros, liderados por  Hélio José Moro, que com a mesma intenção vieram se somar aos jovens liderados por Paixão Côrtes. Outros grupos com os mesmos ideais foram se aproximando e engrossando as reuniões dos sábados, agora não apenas para tomar mate e “prosear”, mas sim com um objetivo maior e bem definido, criarem o que viria a ser o primeiro CTG do Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Foram seis ou sete meses de encontros e reuniões, que ocorriam principalmente na casa do Paixão, mas várias outras residências foram usadas para acolher aqueles jovens e suas reuniões.  Porem as residências começaram a ficar pequenas para tanta gente, pois todos finais de semana apareciam novos militantes, foi a vez de procurarem um lugar maior e encontraram guarida  na residência da família Simch (José Laerte Vieira Simch), que possuía um porão espaçoso e com condições de receber todo mundo, neste local  foram realizadas as primeiras reuniões de organização e por fim a fundação do 35 CTG em 24 de abril de 1948.

*Residências que acolheram os encontros precursores, todas na Capital Porto alegre:  

-Paixão Côrtes: Rua Sarmento Leite nº 101

-Cyro Dutra Ferreira: Rua Sarmento Leite nº 65

-Francisco Gomes de Oliveira: Rua Gaspar Martins 533

-Barbosa Lessa: Rua Cipriano Ferreira nº 551

-José Laerte Vieira Simch:  Rua Duque de Caxias: nº 707 


Durante esses primeiros meses de encontros, várias foram aas ideias para a criação de uma entidade voltada para as tradições gaúchas, inclusive uma que defendia uma associação limitada em 35 sócios, em homenagem a data histórica de 1835; mas alguém foi iluminado e contestou sob o argumento que desse formato a ideia se terminaria em pouco tempo e não se espalharia aos “quatro ventos” como era o desejo da maioria. 

Definido o formato da nova entidade, foi feito um chamamento para que todos apresentassem sugestões de nomes, e foi escolhido no voto o nome, 35 Centro de Tradições Gaúchas (estava surgindo a sigla CTG que se tornou referencia para todas entidades tradicionalistas, anos depois começaram a surgir outras siglas, como DTG (Departamento de Tradições Gaúchas), GAN (Grupo de Arte Nativa), PQT (Piquetes), e outras, mas todas nominando entidades com os mesmos objetivos).




Obs.   CONTINUA NAS POSTAGENS MAIS ANTIGAS.